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Acredita em Reencarnação?

                
Depois de muito pensar, fui pedir autorização a minha amiga para contar 
sua história. A única objeção que ela fez foi a de colocar nomes e lugares. 
Portanto, os nomes e lugares serão inventados, mas a história é verdadeira 
e presenciada por mim.

O AMOR ULTRAPASSA A BARREIRA DOS TEMPOS.

Já faz 5 anos que meu amigo morreu. Como esta internet voa longe pode 
ser que ela passe lá onde ele estiver e, com certeza ele vai gostar. Meu 
amigo, um longo abraço.

Na época em que o conheci ele sofria de enormes crises de coluna. Tinha 
58 anos, um coroa bonito, mas que as dores haviam transformado sua 
fisionomia deixando com aparência de mais velho.

Fui contratado por ele para que lhe tirasse as dores. Foi um ano de muito 
exercício, mas enfim logramos êxito e as crises diminuíram muito. Como 
sempre acontece, acabamos por nos tornar amigos e muitas vezes escutei 
parte de sua vida. Uma vida de trabalho, pouco luxo, mas um coração 
enorme. Ele sempre me dizia que nunca havia gostado de ninguém, em seu 
peito existia um enorme vazio.

Várias vezes me contou sobre um sonho, que lhe era constante, de uma 
menina muito nova que lhe aparecia dizendo que já havia voltado e estava a 
sua procura. Minha cabeça cética, escutava, mas devo confessar que não o 
levava à sério. 

Um dia, até por curiosidade fui com ele na casa de um grande amigo que 
faz retratos falado para a polícia e, durante três horas ele foi descrevendo 
a moça e meu amigo desenhando. A mulher do desenho era muito bonita 
aparentava uns 15 anos.

Ele colocou o desenho numa rica moldura e pendurou na sala de casa. 
Devo dizer que à partir daquele retrato ele me pareceu mais feliz.

Um dia, fui convidado a dar uma palestra-aula sobre exercícios de 
relaxamento para a coluna. Não sei porque o convidei para ir comigo... Lá 
chegando já estavam várias pessoas, como sempre, a maioria de senhoras 
e duas ou três meninas. Meu amigo procurou uma cadeira no semi-circulo e 
eu me apresentei e sentei na cadeira central. Tinha um tatame onde eu 
apresentaria os exercícios. Como não levei ninguém comigo para tal 
demonstração procurei entre as meninas e pedi que uma fizesse a 
demonstração comigo.

Após alguns segundos, levantou uma menina bonita, parecia uns 17anos, 
dizendo que não tinha nada na coluna, mas queria assistir a palestra e, 
portanto, não teria problema algum em fazer os exercícios.

Conforme ela se aproximava me vinha a impressão que já a conhecia. 
Perguntei-lhe o nome e a apresentei ao grupo. Meu amigo ficou pálido e 
começou a passar mal. Ele parecia não poder respirar. Eu e a moça 
corremos até ele para socorre-lo. Ele me olhava com um ar de espantado, 
seus olhos iam de mim para ela como se quisesse falar alguma coisa. 
Percebi no olhar da moça um enorme carinho.

Alguns minutos mais tarde, já refeito, ele me falou no ouvido: - Jorge, é ela 
a moça que vejo nos sonhos! Você não lembra do quadro?

Sem ter muito a dizer ou fazer, procurei acabar o mais rápido possível com 
a palestra. Notei, que os dois se olhavam muito e comecei a ficar 
preocupado.

Enquanto fazia um exercício para relaxamento do tórax a moça me falou: 
- Conheço seu amigo de algum lugar, de uma cidade que nunca fui. 

Mais tarde, já em outro exercício ela me confidenciou o nome e sobrenome 
dele, inclusive lembrando do nome da mãe, do pai e um irmão dele que já 
havia falecido.

Ai Meus Deuses... a coisa estava ficando esquisita e resolvi terminar a 
palestra rápido para sair daquele embaraço. Rapidinho, dei os “finalmente” 
distribui cartão para todos e fui tratando de responder as perguntas infindas 
que sempre vêm no final de palestras. No meio de tanta gente, meus olhos 
procuravam meu amigo e vi que os dois estavam conversando e dos olhos 
deles saiam lágrimas. Me livrei de todos com uma desculpa e sai dali levado 
os dois comigo.

Logicamente fui dando uma branca nele (ao pé do ouvido)... 
- Você é maluco? Uma menina...

Eles insistiram em conversar e fomos a um restaurante onde ficamos horas. 
A certa altura, ela pediu para ligar para mãe. Pedimos ao gerente para usar 
o telefone (naquela época o celular era raro) e cerca de meia hora depois 
entrava a mãe pelo restaurante, trazia um envelope na mão, e eu pensei: 
Meu Deus estou frito...

A mulher se sentou e foi aí que vim a tomar conhecimento da História (para 
mim ainda incrível). A mãe tirou do envelope um desenho feito à mão pela 
moça e que era muito parecido com meu amigo.

Sintetizando a história.

Ele, quando menino, gostava de brincar com “ela” só que “na vida passada” 
ela sofria de uma doença degenerativa e envelhecimento precoce. Não 
mexia nenhum músculo apenas os olhos e muito pouco a boca. Ele era o 
único menino que não tinha nojo da baba que escorria pelo babador e 
passava horas a contar histórias e fazer graças para ver ela sorrir. 

Ela veio a falecer com 8 anos e meio e segundo ele me havia dito, chorou 
muito.  Tudo isto contado por ela e confirmado pela mãe. Ele lembrava de 
tudo e confirmava lugares, casa, vila, cadeira de rodas até o barulho que 
uma das rodas fazia. 

Não vou colocar mais detalhes por serem redundantes e poderia deixar 
passar alguma identidade. Eu fiquei de boca aberta sem falar quase nada e 
quando falei foi uma besteira sem limite.

A última frase que a moça falou ao sairmos do restaurante nunca mais me 
saiu da cabeça:
- Viveremos 7 anos de muita felicidade e voltaremos a nos encontrar.

Nunca vi um casal tão feliz em minha vida, dois anos mais tarde eles tiveram 
um filho e colocaram o meu nome (mal gosto). Eles voltaram para a cidade 
onde haviam vivido e compraram a casa velha onde ela havia morado. 

Na reforma ele achou a pedra rosa que havia dado a “ela” a qual havia 
caído por um buraco no assoalho e que a moca “nesta vida” lembrou e 
pediu para ele procurar.

Mas, como tudo tem fim, a vaticinação da frase aconteceu e sete anos 
depois ele morria. Eu chorei muito neste enterro. Ela e o meu xará ficaram 
todo o tempo do lado do caixão cantando e contando as histórias que ele 
havia contado para ela na outra vida. Quando o caixão fechou ela falou: 
- Até breve, meu amor. Seu rosto era de paz e certeza do reencontro.

 


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