O papel da família em tempos de transição planetária

Allan Marques











Allan Marques 

O papel da família em tempos de transição planetária


Em mensagem de autoria do Espírito Joanna de Ângelis, psicografada pelo valoroso médium Divaldo Pereira Franco, afirma a nobre benfeitora da Humanidade: “Opera-se, na Terra, neste largo período, a grande transição anunciada pelas Escrituras e confirmada pelo Espiritismo”.

Efetivamente, se lançarmos um breve olhar sobre as convulsões, físicas e morais, que vêm abalando o planeta, perceberemos, sem dificuldade, que os tempos atuais são de transformação. E ao analisarmos o momento delicado por que passa nossa morada, não podemos deixar de pensar no papel da família nesta fase de profundas alterações do cenário terrestre rumo à proposta da regeneração.

A família, que de acordo com o Espírito Camilo, na obra Vereda Familiar, “constitui o mais notável núcleo de libertação e de aprendizagem para os Espíritos chegados ao mundo das densas energias, nas atividades da renovação individual”, simboliza a estratégia do Pai Maior com vistas ao crescimento de Seus filhos e, consequentemente, à melhoria do Grande Lar que ora nos abriga.

É inegável que a vida no ambiente doméstico nos apresenta uma série de desafios. Em “O Evangelho segundo o Espiritismo” nos é informado, no capítulo 14 (Honrai a vosso pai e a vossa mãe), que nossos familiares podem ser Espíritos simpáticos, antipáticos e até estranhos. Isso quer dizer que nem sempre estaremos lado a lado com criaturas que nos são queridas. Mas, é nosso dever, na condição de filhos do Altíssimo, darmos ao outro o direito de ser como é, respeitando a maneira de cada qual agir e aprendendo com as diferenças o melhor caminho para servir sempre.

Na relação com os consanguíneos, precisaremos nos perguntar o que Deus espera de cada um de nós, já que não reencarnamos na família errada. Estamos no agrupamento que nos proporciona os melhores recursos para nosso crescimento. Em verdade, nossa família biológica é a humanidade em miniatura, nos dizeres do Espírito Camilo, onde teremos a feliz oportunidade do “estágio” a fim de nos prepararmos para a convivência em sociedade.

Por tudo isso, compreendemos, ao contrário do que muitos apregoam, que a família não é uma instituição falida, mas uma proposta divina que desempenha papel fundamental na construção do mundo melhor. Na obra “Amanhecer de uma nova era”, o Espírito Manoel Philomeno de Miranda registra no capítulo 16 uma fala sublime do Pobrezinho de Assis, que afirma: “Todos nos encontramos, desencarnados e encarnados, comprometidos com o programa da transição planetária para melhor”. E esse compromisso, certamente, poderá ser honrado se atentarmos para a capacidade que os agrupamentos familiares têm de estimularem em seus membros o comportamento equilibrado e a vivência fraterna dos ensinamentos de Jesus.

Para tanto, é necessário valorizarmos pequenas atitudes que representam muito no contexto familiar. O Espírito Thereza de Brito comenta que “é lamentável o esquecimento a que é relegada a oração, em grande número de lares pela Terra inteira”. E a amiga espiritual recomenda: “Afervore-se à oração em seu lar, seja na estação feliz das alegrias domésticas, seja nos momentos ou nas quadras de testemunhos difíceis”.

Mais uma vez, evocando a abnegada benfeitora Joanna de Ângelis, no livro Vida Feliz, ela enfatiza que todo o tempo possível deve ser aplicado na convivência familiar, mediante os diálogos, os exemplos, tornando-se o método mais eficaz de educação. Afirma ainda que tudo quanto for investido no lar, retornará conforme a aplicação feita, sendo fundamental fazermos de nossos lares as oficinas onde a felicidade habita.

Sabedores de que os pensamentos podem ser canalizados em sentido edificante, dando lugar a palavras e atos dignos, façamos o esforço de, em nossos lares, estimularmos a bondade, a compaixão e a caridade, na construção de uma psicosfera de amor e equilíbrio. As mudanças que se vêm operando na Terra são necessárias e exigem da nossa parte a abnegação e a dedicação ao dever, mas tenhamos a certeza de que passado o período de aflição, chegará o da harmonia, quando compreendermos que a grande família terrena é a Humanidade regenerada pelo Bem.