Artigo Espírita: Carta de Ano Novo




  Allan Marques

Carta de Ano Novo

Mais um ciclo se encerra. Mais um ano de promessas e desafios aproxima-se. É comum, no início de uma nova etapa de lutas terrenas, pedirmos por nós mesmos e desejarmos uns aos outros o melhor: saúde, alegria, paz, um ano de muita luz abençoado por Deus! Mas, o que efetivamente temos feito para que tudo isso se concretize? Qual o entendimento acerca de pacificação, bem-estar e felicidade que temos em mente quando rogamos ao Pai Criador tais benesses?

Imaginemos, por um minuto, que estamos abrindo neste exato momento uma carta. Nela, há quatro convites formulados que nos estimulam a pensarmos na significação de cada pedido que fazemos neste início de um novo ciclo: Vamos nos comunicar mais com Deus? Vamos nos envolver com a paz? Vamos valorizar a alegria? Vamos investir em nossa saúde?

É interessante observar que Deus quase sempre se faz presente nas falas do chamado Ano Novo: “Que Deus te ilumine!”; “Eu confio em Deus e Ele há de nos proporcionar um ano excelente!” e assim por diante. Podemos afirmar que, na atualidade, a relação da Humanidade com Deus já se encontra um pouco mais amadurecida. Por isso, é chegada a hora de nos questionarmos: estamos vivendo na Terra de modo que Deus possa confiar em nós? Para agirmos dessa maneira, é fundamental que estreitemos os laços com a Divindade, aprofundando a comunicação com o Pai de Amor na prece sincera, que se traduz na ação coerente daqueles que nos intitulamos cristãos.

Quanto ao segundo tópico, a paz, efetivamente, ela consta no “pacote” de desejos da quase totalidade de seres humanos. Mas, como tem sido nosso envolvimento com ela? A nobre benfeitora Joanna de Ângelis afirma que “há muita gente vivendo em clima de desespero e pressa exaustiva, atropelando e deixando-se atropelar numa volúpia de alucinação”. Não há como vivermos em paz se não a trabalharmos em nós primeiramente. É preciso percebermos e combatermos a violência nossa de cada dia, que se manifesta nos vícios que ainda alimentamos, nas palavras de baixo calão proferidas tão naturalmente no dia a dia, no alto volume da música que “obrigo” o vizinho a escutar...atos violentos que não combinam com a paz tão sonhada por todos nós!

No terceiro convite somos tomados de surpresa: valorizar a alegria? Mas o que isso significa? O estimado médium e orador Raul Teixeira nos fala, na obra Vida e Valores, editada pela Federação Espírita do Paraná, da dificuldade que temos em diferenciar alegria de excitação. Normalmente, as comemorações na Terra são um real exemplo desse nosso comportamento atrapalhado: muito barulho, muita bebida, comida em excesso...e chamamos isso de alegria! Na proposta de valorização da verdadeira felicidade, entendamos, com o Espírito André Luiz, que ela será naturalmente proporcional à felicidade que fizermos para os outros.

Por fim, somos convidados a investir na saúde. Mas, de que saúde estamos falando? Mais uma vez, evocando a nobre mentora do médium Divaldo Franco, somos alertados de que “cada criatura é o resultado das realizações morais, espirituais da sua mente” e que “nas raízes profundas dos distúrbios e doenças há causas de natureza espiritual”. Não há como abordar a questão do bem-estar na Terra sem entendermos a proposta de saúde integral apresentada pela Doutrina Espírita. Desejar saúde passa a ser compreendido como estabelecer uma relação saudável entre espírito e matéria, propondo-nos uma constante higiene moral e mental a fim de desfrutarmos do verdadeiro bem-estar.

Carta lida. Convites formulados. Desafio aceito? Não, não há necessidade de resposta para os outros... Deveremos internalizar tais propostas e, quando chegarmos ao fim desta nova fase de desafios, perguntemos a nós mesmos: eu consegui? Lembremos, pois, que Deus está no comando sempre e que Jesus, o Governador do planeta, conta com cada um de nós para a construção da Era Nova de amor e entendimento. A todos, paz, saúde e alegria!